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SOBRE O ARTISTA

Hassis é assim = assim hassis

Hassis, conhecido pintor florianopolitano. Torna-se publicamente reconhecido na cidade a partir de 1957. A exposição realizada em parceria com Ernesto Meyer Filho, no Instituto Brasil-Estados Unidos (IBEU), causou alguma repercussão no meio cultural florianopolitano. A imprensa também noticiou o feito dos jovens artistas locais. Um ano depois, formar-se-ia o Grupo de Artistas Plásticos de Florianópolis – o GAPF.

Hassis, o filho de Seu Orlando e Dona Laura. O marido de Nazle, o pai de Leilah e Luciana. Hassis: filho, pai e avô. A história pessoal ocupa um relevante espaço em sua obra. Ele parece ter assimilado de maneira tão profunda e orgânica toda a sua trajetória que ela reverbera em seus trabalhos. Além disso, foi um incansável pesquisador de seus antepassados, criando inclusive um álbum com a imagem de várias gerações de sua família. Suas filhas, netos e parentes mais próximos, cada um tinha um álbum próprio, com fotos desde o nascimento até o período do falecimento do próprio Hassis.

Hassis, o homem que conseguiu pintar o vento sul. Como alguém pode pintar algo que não se vê? Mais que o vento, Hassis tematizou um sentimento ilhéu, afinal é isso que o vento sul significa para tantos. Medo, frio, frescor, agitação. As marinhas, as pedras de Itaguaçu, as bananeiras, as escolas de samba. Ele não se cansou de apresentar a cidade ao mesmo tempo em que inventava para si próprio uma paisagem para morar. Várias formas do mesmo. Florianópolis habitava Hassis.

Hassis universal. Aquele que parecia nunca ter esquecido a Segunda Guerra Mundial, o Vietnã. O homem antenado em tudo e em todos, seja pelo jornal, pelas revistas, pelo rádio ou, mais a frente, pela televisão. Hassis o eterno aluno, sempre interessado no mundo inteiro. Mundo inteiro em Hassis.

“Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta”, sentia Mario de Andrade. Talvez Hassis não coubesse em tão pouco. “Eu, graças a Deus, nunca encontrei o que busco”, declarava triunfante. O acervo por ele deixado não pára de mostrar novas facetas, incitando novos estudos e diálogos com a produção artística contemporânea. Ao longo da vida, produziu uma obra vasta e complexa que, numa visão geral, pode ser descrita como uma espécie de colagem realizada com diversos suportes, temas, formas e técnicas. Talvez o ateliê de Hassis seja uma verdadeira colagem de espaços e tempos de uma Florianópolis cada vez mais distante.

Hassis pintor, economista, pai, desenhista, florianopolitano, escultor, cineasta, marido, fotógrafo, arquivista, contador, decorador de carnaval, curitibano, avô, funcionário público, artista gráfico, filho da Dona Laura, muralista, morador de Itaguaçu, aluno do Grupo Escolar Lauro Muller, videomaker, motorista de Fuscas, ilustrador. Assim Hassis.

Fernando C. Boppré